Coro misto. Duas palavras. Segundo o dicionário da língua portuguesa
“coro” significa agrupamento de pessoas que actuam juntas, cantando em uníssono
ou a várias vozes. Já a palavra “misto” significa formado de elementos
diferentes. No caso, como sabemos, os elementos diferentes são homens e
mulheres. Podemos então concluir que um coro misto é um agrupamento de homens e
mulheres que actuam juntos, cantando em uníssono ou a várias vozes. Fascinante,
esta definição. Porquê? Porque por um lado é simples, directa e diz tudo o que
é um coro misto. Por outro lado é tremendamente redutora no que se refere ao
Coro Misto, o da Universidade de Coimbra.
Recuemos atrás, 58 anos. Lembremos as mulheres que usaram a sua voz
para cantar a luta contra séculos de uma desigualdade imposta. Mulheres cujo
seu desejo foi muito além de cantar num coro. Mulheres que escolheram cantar em
vez de gritar por um ideal. Mesmo que por vezes em pianíssimo, as suas vozes falaram mais alto do que muitos gritos de
revolta.
Lembremos, uns anos mais tarde, a fibra de todos os coralistas e do
Maestro que, qual tripulação de um navio que enfrenta uma tempestade, levou o
Coro Misto através de uma crise académica, de um luto académico e de uma
revolução, até finalmente este barco desaguar em dias melhores, livres.
Lembremos os Encontros Internacionais de Coros Universitários, a sua
extraordinária riqueza cultural, e a sua relevância para o Coro, para Coimbra e
para o país. Lembremos o perpetuar do nome do Coro Misto, o nome da
Universidade e o nome de Coimbra em todos os locais do país e do mundo por onde
passou o CMUC, ao longo de mais de meio século. Cinquenta e oito anos depois, a
marca ainda é a mesma: um sorriso.
Lembremos todos os antigos e actuais coralistas do CMUC, e todos os
Maestros. Todas as vozes cravadas para sempre na cortiça que forra toda a sala
Fernando Lopes-Graça. Ainda estão lá. Ainda cantam a quem passa. Cantam uma
história. Unem uma família. São o Coro Misto.

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